9 de julho de 2014

O Calor de maio

O mês de maio foi o mais quente no planeta desde que se começaram a registrar temperaturas, em 1880, divulgou hoje (23) a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera.
A temperatura média do planeta chegou a 15,54 graus centígrados, 0,74 grau acima da média do século 20, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O recorde anterior tinha sido estabelecido em 2010.
"A maior parte do mundo teve temperaturas mais quentes que a média mensal, com temperaturas altas recorde no leste do Cazaquistão, em partes da Indonésia, e no centro e noroeste da Austrália", comunicou a NOAA.
A temperatura dos meses de maio dos últimos 39 anos tem sido superior à média de todo o século 20. Abril também é um mês historicamente quente por todo o globo, e a temperatura média registrada igualou os valores de 2010, os mais altos desde 1880, divulgou a NOAA.
O aumento da temperatura é consequência do aquecimento global. A última vez que as temperaturas de maio ficaram abaixo da média do século 20 foi em 1976, de acordo com a agência norte-americana.
Segundo prognósticos da NOAA, há 70% de probabilidades de que a corrente quente do Pacífico El Niño volte a aparecer este verão no hemisfério norte e 80% de possibilidades de que surja durante o outono e inverno próximos, o que poderia ter um impacto importante nas temperaturas e nas precipitações em todo o mundo.

8 de fevereiro de 2014

Fukushima - O desastre continua



Qual é o nível de contaminação radioativa que podemos encontrar nos alimentos consumidos pelos japoneses depois das fugas da usina nuclear de Fukushima 1? Mais que suficiente. Um peixe apanhado perto da usina apresentava níveis de césio radioativo 124 vezes superior ao permitido.

A audiência ainda não tinha digerido a impressão provocada pelo “mutante de Fukushima”, como ela já foi batizada, já o jornal Asahi oferece um novo monstrinho sob a forma de um perigoso prato típico nacional – uma choupa (Spondyliosoma cantharus). Afinal o nível da contaminação da choupa era simplesmente monstruoso. Também é verdade que o Asahi ressalva que apenas um dos 37 peixes capturados apresentava esse nível. Outros dois peixes desse grupo apresentavam 4 e 2 vezes mais contaminação, os restantes tinham níveis normais. As amostras foram recolhidas pela Agência de Investigação das Pescas no delta de um rio a 40 km para sul da malograda usina. Isso faz parte de estudos mais vastos que irão verificar os níveis de contaminantes perigosos na cadeia alimentar humana provenientes de Fukushima.
Os poluentes radioativos existentes nos produtos alimentares se acumulam no organismo humano e provocam doenças que o matam lentamente. Entretanto, a usina de Fukushima tem fugas de água radioativa para o mar. Primeiro a radiação satura o primeiro elo da cadeia alimentar – os organismos marinhos unicelulares e as plantas. O vice-presidente do comitê de recursos naturais e ambiente da Duma de Estado Maxim Shingarkin afirma:
“De uma dezena de células de alga é sintetizada, falando de uma forma esquemática, uma célula de molusco. Uma dezena de células de molusco, que tenham acumulado radioatividade a partir de algas, dão origem a uma célula de peixe. O homem consome o peixe, ou seja, consome a radioatividade concentrada em toneladas de água. Portanto, ao avançarmos na cadeia alimentar a concentração de contaminantes aumenta.”
A pesca e a comercialização da choupa junto à costa das províncias de Fukushima e de Miyagi são proibidas. Mas o sistema alimentar japonês não pode ser alterado por uma assinatura. Eles querem comer o seu peixe favorito que consomem há séculos. As notícias, como o artigo do jornal Asahi, ajudam as autoridades a alertar o povo. Os apelos e proibições não irão ajudar muito, continua o perito:
“As autoridades do país têm de recorrer aos métodos mais refinados para alterar os hábitos dos seus concidadãos, ao mesmo tempo evitando uma explosão social. Por isso este tipo de publicações são apenas um mecanismo normal para governar uma nação que se encontra à beira de uma catástrofe radioativa.”
Se esses números foram publicados, isso quer dizer que é apenas a ponta do iceberg. O mais provável é Tóquio ter apresentado números mais baixos que os reais ao longo dos três anos que decorreram depois de Fukushima. A realidade é bastante pior, supõe o conselheiro da Academia das Ciências da Rússia, ambientalista e professor universitário Alexei Yablokov:
“A questão é: por que é que apenas um peixe em quarenta apresenta essa quantidade enorme de radionuclídeos? Como nós não conhecemos as vias de difusão dessas substâncias, podemos supor que existem muitos peixes com um nível muito perigoso de contaminação. Isso representa um problema e a fonte da contaminação ainda não foi detectada.”
Se prosseguirmos na mesma lógica, teremos um quadro muito negativo das consequências de Fukushima. Dentro de alguns anos, uma parte considerável do pescado japonês estará contaminada pela radiação. O Oceano Pacífico será percorrido por baleias radioativas que se encontram no topo da pirâmide alimentar marinha. Já na nova década deveremos esperar um surto de doenças oncológicas entre os japoneses.
Os peritos brincam que aquela choupa contaminada, que foi noticiada pelo Asahi, pode ser comida uma vez. Isso não seria mortal para o ser humano. O principal é não consumir esse peixe de forma continuada.

fonte http://portuguese.ruvr.ru/2014_01_16/Japoneses-amea-ados-por-carpa-perigosa-6153/

10 de dezembro de 2013

Conferência mundial do clima termina com acordo fraco

Após estourar em um dia o prazo de encerramento, a 19ª conferência mundial do clima da ONU, em Varsóvia, terminou neste sábado com os ânimos exaltados.
A expectativa para a reunião era a definição de alguns pontos do futuro acordo internacional com metas de redução de emissões de gases-estufa, a ser assinado em 2015, na conferência do clima que será realizada em Paris.
O texto aprovado, criticado por ambientalistas por falta de ambição, tem informações básicas sobre os passos seguintes até o novo acordo mundial do clima, que deve começar a valer em 2020, em substituição ao Protocolo de Kyoto.
Kacper Pempel/Reuters
O presidente da COP-19, Marcin Korolec (no centro), cercado por secretários e assistentes no último dia da conferência do clima
O presidente da COP-19, Marcin Korolec (no centro), cercado por secretários e assistentes no último dia da conferência do clima
Um dos pontos mais significativos do texto de Varsóvia foi a menção, ainda que vaga, de uma data para a apresentação de "contribuições" para redução de emissões de gases-estufa. O documento estabelece que os países que "estiverem prontos" devem apresentar contribuições no primeiro trimestre de 2015.
O que é exatamente "estar pronto"? O texto não diz.
E o uso da palavra "contribuição" em vez de "compromisso" --troca feita após um impasse entre países ricos e em desenvolvimento-- dá margem para que se continue com a divisão de responsabilidades entre as nações, como acontece no acordo atual.
Para muitas nações em desenvolvimento, a responsabilidade pela redução de emissões deveria recair mais sobre nações ricas, levando em conta o histórico de poluição.
Os 195 países participantes concordaram também com a criação de um mecanismo para ajudar as nações mais pobres a lidarem com perdas e danos causados pelo aquecimento global.
"Avançamos em pontos importantes. O fato de termos um acerto para esses momentos que vão anteceder 2015 [a assinatura do novo acordo] é muito bom", avaliou o negociador-chefe do Brasil, José Marcondes de Carvalho.
BRASIL
A definição de regras para o financiamento da preservação de florestas, acertado na sexta-feira, foi considerada uma vitória para o Brasil. O país é um dos potenciais grandes beneficiados do acordo --só em uma negociação bilateral com a Noruega, o Brasil já tem US$ 1 bilhão acertado.
A grande proposta brasileira --que foi adotada pelos principais países em desenvolvimento (G77) e pela China--, de criação de uma metodologia para avaliar a responsabilidade de cada país para o aquecimento global, foi barrada pelas nações ricas mas, segundo os negociadores, tem chances de ressuscitar em debates futuros.
POLÊMICAS
As duas semanas de conferência tiveram protestos e surpresas. A dois dias do fim da COP, ONGs ambientalistas se retiraram do evento em protesto contra insuficiência de esforços nas negociações, em uma saída em massa sem precedentes desde que os encontros internacionais começaram, há 19 anos.
Houve ainda a greve de fome do negociador-chefe das Filipinas, para pressionar por ações concretas para ajudar os países mais atingidos pelo aquecimento global, e a demissão do presidente da COP do cargo de ministro do Meio Ambiente da Polônia.
Durante a segunda semana de conferência do clima, Varsóvia sediou também um congresso da indústria do carvão, alvo de mais protestos dos ambientalistas.

1 de março de 2013

Antropoceno


21/02/2013 - Deutsche Welle
Tecnologia 

Pesquisadores alegam que intervenção humana provoca mudanças irreversíveis no planeta.  Marcas da civilização caracterizariam época antropocena, onde homem e natureza são indivisíveis: uma nova era de responsabilidade.

A escala de tempo geológico estabelece éons, eras, períodos, épocas e idades que permitem categorizar diferentes fases desde a formação do planeta.  Segundo a o consenso vigente, a época atual, a holocena, iniciou-se há aproximadamente 11,7 mil anos.  Contudo, a comunidade científica propõe uma revisão desse conceito: a conexão inextricável entre o ser humano e a natureza inauguraria um novo período, chamado de Antropoceno.

Em outros tempos, as paisagens eram determinadas por rios, vulcões, o movimento da Terra e mudanças climáticas naturais.  Hoje, a interferência humana afeta diretamente esse processo.  Tal visão implica uma mudança radical na ciência, pois não se pode mais conceber um processo evolutivo natural sem a interferência do homem e da tecnologia.

A visão tradicional costuma dividir o mundo entre a – quase sempre – "boa natureza" e o "homem mau e sua técnica", explica o geólogo Reinhold Leinfelder, da Universidade Livre de Berlim, que pesquisa profundamente a teoria do Antropoceno.  Em sua opinião, essa dicotomia não é mais aplicável.

"Chegamos a um ponto em que o homem alterou tanto a natureza, que esta não existe mais, no antigo sentido", explica.  Para ele e muitos de seus colegas pesquisadores, portanto, o ser humano é agora parte dessa nova natureza – a qual se tornou impossível de separar das marcas impostas pela tecnologia.  Do ponto de vista do antropocenismo, homem e natureza são entendidos como uma coisa só.  Visão do espaço mostra claramente ação humana sobre o planeta

Alterações locais e globais

As características das camadas sedimentares mostram as particularidades de cada época.  O Holoceno, que começou depois da última era glacial, caracterizou-se por condições ambientais estáveis.  Agora, a era holocena deve ser separada da antropocena – embora não haja ainda um consenso entre os especialistas sobre quando começou exatamente a nova época.

Já há cerca de 10 mil anos, a agricultura promovia as primeiras intervenções sistemáticas na natureza, embora em escala local.  No entanto, os cientistas concordam que a partir da revolução industrial, o mais tardar, se dá uma influência ambiental em escala global.  "Já no final do século 18 e início do 19 começamos um experimento em escala planetária", diz Jürgen Renn, diretor do Instituto Max Planck de História da Ciência, em Berlim.

O geólogo Leinfelder está seguro: "Aquilo que teremos no futuro, em termos de depósitos, de camadas geológicas, trará fortemente a nossa assinatura".  Ou seja: os depósitos sedimentares exibirão a marca das atuais intervenções no meio ambiente, arqueólogos encontrarão restos de nossos animais domésticos, da mesma forma que resquícios de plantas cultivadas e partículas de plástico.  Busca de matérias primas move montanhas

Era da responsabilidade

O professor de História da Tecnologia Helmuth Trischler também acredita que o ser humano e sua técnica estão inseparavelmente ligados, e que as intervenções humanas mudaram o mundo de forma irreversível.  "Não é possível retornar a um estado primitivo chamado Holoceno."

Deste modo, os problemas acarretados pelas intervenções humanas – como pesca predatória, drenagem dos solos, as montanhas de lixo – não poderão ser enfrentados sem a técnica e sem mais outras intervenções na natureza.

Segundo o historiador da ciência Jürgen Renn, está claro que para os seres humanos não poderá haver um "pós-Antropoceno".  Portanto o desafio é configurar a época atual com senso responsabilidade.  Assim, a discussão quanto ao conceito de Antropoceno visaria, sobretudo, uma coisa: despertar a consciência de que vivemos numa época geológica determinada pelo humano, e que é preciso moldá-la de forma responsável e sustentável.
fonte: http://www.empresaspeloclima.com.br/index.php?r=noticias/view&id=256457

3 de fevereiro de 2013

Milhares de lulas se suicidam na Califórnia


Animais, suicídio, EUA

Biólogos da Califórnia procuram explicar o fenômeno a que tiveram a ocasião de assistir no passado domingo nas praias do distrito de Santa Cruz, na zona do Golfo de Monterrey.

Segundo a CBS, na manhã daquele dia a costa estava coberta com milhares de lulas-de-humboldt que não se sabe por que razão estas deram à costa.
Houve quem tentasse devolver lulas ainda vivas ao mar, mas estas persistiam em se atirar para a praia.
Os biólogos avançam como causa possível do suicídio coletivo de animais o aquecimento global.

Fonte:http://portuguese.ruvr.ru/2012_12_13/Suicidio-de-milhares-de-lulas/

28 de dezembro de 2012

Cientistas debatem se vivemos nova época geológica



GIOVANA GIRARDI - O Estado de S.Paulo

Há quem diga que seria o último ato da arrogância humana: tornar oficial nos registros geológicos que ações antropogênicas - aquelas que são induzidas ou alteradas pela presença e atividade do homem - já causaram, e ainda causarão, tamanho impacto nos ciclos naturais do planeta que são suficientes para marcar o surgimento de uma nova época na escala de tempo da Terra.
É exatamente o que está sendo discutido por um grupo de trabalho de cientistas na Comissão Internacional de Estatigrafia - a disciplina que analisa as marcas da passagem do tempo no planeta. Segundo dados oficiais, estamos há cerca de 12 mil anos em uma época chamada Holoceno, iniciada após o fim da última era do gelo e caracterizada por uma relativa estabilidade climática.
Mas o grupo analisa as evidências científicas para poder dizer se o impacto das ações humanas foi significativo o bastante para dar início a uma nova época, chamada Antropoceno. A ideia foi lançada no início deste século pelo químico Paul Crutzen, do Instituto Max Plank, que recebeu o Nobel de Química em 1995 por seus estudos sobre a camada de ozônio na atmosfera.
Desde então o termo conquistou popularidade e valor simbólico, sendo usado arbitrariamente para definir as transformações que o planeta vem experimentando por causa das ações humanas. A pergunta que os cientistas tentam responder é se essas transformações são tão relevantes e profundas quanto às promovidas pelas grandes forças da natureza.
"Classificar o Antropoceno como uma nova época geológica é uma caracterização que depende da observação de uma mudança nos registros geológicos, como, por exemplo, no padrão de sedimentação em escala global", explica o climatologista Carlos Nobre, único brasileiro - e um dos poucos não geólogos - que faz parte do grupo de trabalho.
É um processo muito lento, de anos, talvez décadas, admite Nobre. "Não muito diferente de quando os astrônomos começaram a discutir o caso de rebaixar Plutão da categoria de planeta."
"Com o aumento do nível do mar, haverá um outro padrão de depósito de sedimentos. Onde hoje é continente vai virar fundo do mar, então um dia alguém perfurando essas regiões vai ver areia. Ao datar, vai ver que é do ano 2000 e indo um pouco mais ao fundo encontrará uma rocha que tem milhões de anos. Isso é uma mudança do parâmetro geológico", exemplifica Nobre.
Por isso, é de se questionar se é possível identificar uma mudança de época bem quando ela está ocorrendo - todo o conhecimento sobre a história do planeta se deu nos últimos três séculos com base nos estudos de camadas de sedimentos das rochas e das geleiras acumulados ao longo de milhões de anos.
Sinais precursores. Segundo Nobre e outros pesquisadores da mesma linha, porém, sinais precursores já podem ser observados nos dias de hoje. É justamente a velocidade das ações humanas que talvez permita essa análise quase simultânea. A corrente mais forte entre os pesquisadores coloca como início do Antropoceno a Revolução Industrial (no final do século 18), que trouxe o uso dos combustíveis fósseis para mover máquinas e é o marco da aceleração das emissões de gases de efeito estufa.
Essa nova marcação no tempo, porém, não se restringiria ao aquecimento global, mas às mais diversas ações humanas impulsionadas pelo aumento populacional, como perda de habitats, mudança no uso do solo, sobre-exploração dos recursos naturais, causando, por exemplo, perda de biodiversidade, acidificação dos oceanos e perturbação dos ciclos naturais.
É nesse último ponto que assentam as evidências mais robustas do impacto humano. Diversos estudos nos últimos cinco anos apontam para uma mudança nos ciclos de carbono, nitrogênio e fósforo, além do hidrológico.
Uma das pesquisas mais citadas é a liderada pelo hidrólogo sueco Johan Rockström, que junto com uma equipe de 28 cientistas publicou em 2009, na revista Nature, que a humanidade já ultrapassou três de nove barreiras do planeta que mantêm o sistema funcionando como o conhecemos. O rompimento desses pontos pode modificar esse equilíbrio a um ponto sem mais chance de retorno.
O trabalho afirmava que já foram transpostos os limites da biodiversidade, da mudança climática e do ciclo de nitrogênio, por causa do uso excessivo de fertilizantes. Três anos depois se considera também como superado o limite do fósforo. O de carbono está próximo de ser atingido. Hoje as emissões anuais passam de 40 bilhões de toneladas de CO2.
"Esse sinal pode até aparecer pequeno quando comparado ao ciclo do gás. Todo ano há uma troca de CO2 entre os oceanos e a atmosfera, entre a vegetação e a atmosfera, na faixa de 170 bilhões de toneladas de carbono. Multiplicando isso pelo peso molecular do CO2, passa de 600 bilhões de toneladas. Só que o nosso sinal é cumulativo. Portanto, em menos de um século, vamos ter o dobro de CO2 na atmosfera. Estaremos com outra composição da atmosfera, com outro equilíbrio climático - que será o planeta muito mais quente", diz.

14 de dezembro de 2012

Desertificação – uma nova ameaça



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O aquecimento global e os buracos de ozônio estão ficando para atrás na história. Um novo fenômeno está preocupando os ambientalistas e cientistas de todo o mundo: o aumento dos desertos. A cada ano que passa, a área de territórios impróprios para a agricultura e vida está aumentando. A ONU, que começou a lutar contra a desertificação em 1977, não consegue parar este processo.

De acordo com os cálculos dos cientistas, a cada minuto o homem causa a desertificação de 23 hectares de solo. A culpa não é só da indústria de extração e da agricultura, mas também da falta de trabalhos de preservação e restabelecimento. No nível atual da ciência, o homem é capaz de melhorar a situação nos desertos. No entanto não faz nada para isso, disse o vice-presidente da organização ecológica Cruz Verde, Alexander Tchumakov:
"Na zona desértica e semiárida, a humidade que se encontra no ar é suficiente para resolver todos os problemas. No entanto, não há condições para esta humidade se condensar. Por isso, ela passa pelo deserto sem se precipitar, ou se precipitando raramente. Além disso, não há condições para aparecimento de nuvens. No entanto, o homem pode contornar esta situação, como a França fez na Argélia, ou como Israel faz no seu território. Lá, no deserto de Neguev, existe um campo de criação de nuvens artificiais, o que faz com que chova nestes territórios."
A desertificação é um problema para várias regiões. As zonas mortas começaram a aparecer nos EUA, nos países asiáticos. A pior situação, obviamente, está na África. Lá, a área dos desertos aumenta a uma velocidade assustadora. Além disso, a situação é agravada pela seca dos reservatórios naturais. Há vários projetos que visam protegê-los da seca. No entanto, até agora tais planos permanecem no papel.
O problema ecológico começa a se transformar em social. Se o crescimento dos desertos continuar, vários países da África Central poderão ser compostos somente por terras mortas. Desta forma, o número de refugiados ecológicos irá ultrapassar as fronteiras dos estados vizinhos. Desta forma, será dado início à um novo fenômeno político e social.

14 de novembro de 2012

Cartilha do Ministério do Meio Ambiente orienta sobre consumismo infantil


SÃO PAULO - O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou nesta quarta-feira, 31, a cartilha Consumismo Infantil: na contramão da sustentabilidade. Em parceria com o Instituto Alana, o projeto tem como público-alvo, além das crianças, pais, professores e cuidadores.

Cartilha será distribuída pelo governo por todo o País - Divulgação
Divulgação
Cartilha será distribuída pelo governo por todo o País
A publicação, disponível no site do MMA traz dicas para o consumo consciente, como doar um brinquedo usado quando receber um novo, reciclar embalagens e desligar a televisão e brincar ao ar livre. O projeto tem uma preocupação especial com a publicidade na televisão voltada para as crianças. "As crianças até 10 anos não diferenciam o que é entretenimento do que é publicidade. Anunciar para esse público é contra qualquer padrão de sustentabilidade", disse Gabriela Vuolo, do Instituto Alana.
A cartilha também trata da alimentação infantil. A dica é priorizar os lanches caseiros, que além de mais saudáveis, produzem menos resíduos. "Estamos preocupados em saber que crianças vamos deixar para o planeta, e não apenas o contrário. Porque as crianças de hoje serão as responsáveis pelas escolhas no futuro", lembra Samyra Crespo, Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA.
Em 2013, o Ministério da Educação deverá distribuir 70 mil exemplares da obra, o Ministério do Meio Ambiente distribuirá cerca de 10 mil e a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) vai distribuir outros 15 mil exemplares da cartilha por todo o País. 

Emissões mundiais de CO2 sobem 2,5% em 2011, diz instituto alemão

As emissões globais de dióxido de carbono em 2011 subiram 2,5 por cento, para 34 bilhões de toneladas, um novo recorde, informou o Instituto de Energia Renovável da Alemanha (IWR), nesta terça-feira, 13.

O IWR, que fornece consultoria para ministérios alemães, mencionou a atividade recuperada da indústria após o fim da crise econômica global dos últimos anos.

"Se a tendência atual for mantida, as emissões mundiais de CO2 irão subir outros 20 por cento, para mais de 40 bilhões de toneladas até 2020", afirmou o diretor do instituto, Norbert Allnoch.

A China liderou a lista de emissores em 2011, com 8,9 bilhões de toneladas, um aumento em relação aos 8,3 bilhões do ano anterior. A produção de CO2 da China foi 50 por cento maior que as 6 milhões de toneladas produzidas pelos Estados Unidos.

A Índia ficou em terceiro, na frente da Rússia, Japão e Alemanha.

Em maio, a Agência Internacional de Energia disse que as emissões globais de CO2 cresceram 3,2 por cento desde o ano passado, para 31,6 bilhões de toneladas, lideradas pela China.

O IWR tem apresentado há muito tempo propostas para frear o aumento do uso de combustíveis fósseis e estabilizar as emissões globais do dióxido de carbono, ao relacionar a produção de cada país ao investimento obrigatório em equipamentos para proteger o clima e energia renovável.

As emissões mundiais de CO2 estão 50 por cento acima do nível de 1990, o ano tomado como base pelo Protocolo de Kyoto sobre o clima. O primeiro período do Protocolo termina em 31 de dezembro e seguirá direto para um novo período de compromissos.

A extensão do novo período deve ser decidida quando líderes mundiais encontrarem-se em Doha, este mês, para uma cúpula da ONU sobre esforços globais para enfrentar a mudança climática. A cúpula tem como objetivo finalizar um novo acordo até 2015 para redução de emissões, que entraria em vigor em 2020. 


13 de novembro de 2012

Apenas um terço das cidades tem programa de coleta seletiva de lixo


 Em 2011, apenas um terço (32,3%) das cidades do País tinha programa, projeto ou ação de coleta seletiva de lixo em atividade, revela o Perfil dos Municípios Brasileiros, divulgado nesta terça-feira, 13, pelo IBGE.

 - Divulgaçãoivulgação
É a primeira vez que o tema saneamento é abordado nesta pesquisa, que levanta informações junto às prefeituras. No entanto, cruzamento de dados com a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), de 2008, indica que não houve avanço significativo no período em relação à coleta seletiva. A região Sul possuía a maior proporção de municípios com programas em atividade (55,8%), seguida pelo Sudeste, com 41,5%. Norte e Nordeste apresentaram as maiores proporções de municípios sem programas: 62,8% e 62,3%. Em Roraima, nenhum município tinha coleta seletiva em 2011.
"Os municípios ainda não estão estruturados com ênfase na questão do saneamento. Em relação à PNSB 2008, os dados são semelhantes. Poderia ter havido um movimento melhor na questão da coleta seletiva", diz Daniela Santos Barreto, pesquisadora da coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.
A pesquisa também mostra que a maioria (60,5%) dos municípios brasileiros não executa qualquer acompanhamento em relação ao abastecimento de água, esgotamento sanitário e/ou drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Também se verificou que em 47,8% dos municípios não há órgão responsável pela fiscalização da qualidade da água.
Também mostra que as políticas de saneamento são fragmentadas e que poucos têm estrutura única de saneamento. Apesar de o plano nacional de saneamento básico prever que todos os municípios devem ter estrutura para cuidar do saneamento, apenas 28% possuem. "Em relação à lei de saneamento, ainda é preciso uma sensibilização dos municípios, para que cumpram suas responsabilidades de fiscalizar e normatizar a execução de serviços", acrescenta Daniela.

O drama do entulho eletrônico


A obsolescência programada, que faz tudo ficar velho antes da hora, é o alimento para um dos grandes problemas ambientais de nosso tempo



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Nos movimentados portos de Karachi, no Paquistão - o homônimo Karachi e Qasim -, cargueiros provenientes de Dubai transportam contêineres com peças velhas e quebradas de computadores. O lixo eletrônico recolhido vem dos Estados Unidos, Japão, Austrália, Inglaterra, Kuwait, Arábia Saudita, Singapura e Emirados Árabes.

Esse material (carcaças de discos rígidos, monitores, impressoras ou mesmo aparelhos inteiros) é reciclado no bairro de Sher Shah, onde se separa o joio do trigo. Ali, mais de 20 000 pessoas vivem da reciclagem, que é feita sem cuidados com o meio ambiente ou com a saúde. Sher Shah tem o mais alto índice de casos de câncer de pulmão e de problemas respiratórios do país, por causa da inalação de gases tóxicos, emitidos durante o processo de separação das peças. "O quilo de metal extraído na reciclagem do lixo eletrônico é comercializado a 120 rupias, ou 1,40 dólar", diz Madhumita Dutta, da organização Toxics Link India. Em Gana, na África, o quadro é semelhante.

O subúrbio de Agbogbloshie, da capital do país, Acra, é talvez o maior aterro eletrônico do mundo. É chamado pelos moradores de "Sodoma e Gomorra". No local, gangues fazem pente-fino em drives de computadores, laptops, palmtops, tablets e smartphones provenientes dos Estados Unidos e da Europa, em busca não só de material a ser vendido, mas também de informações sigilosas dos antigos proprietários. Os dados, que permanecem em geral intactos no computador, mesmo obsoleto, são usados depois em golpes pela internet. "O lixo eletrônico é um dos problemas de mais rápido crescimento no mundo", disse a VEJA a consultora Leslie Byster, da ONG International Campaign for Responsible Technology (Campanha Internacional pela Tecnologia Responsável).

O MAPA-MÚNDI DO FERRO VELHO, as idas e vindas do chamado e-lixo (em toneladas por ano)

Apesar de a Convenção de Basileia, na Suíça, em 1989, ter proibido o movimento entre fronteiras de resíduos perigosos (entre os quais as sobras eletrônicas), a legislação e notoriamente driblada pelos exportadores de traquitanas com chip, que etiquetam a carga como doação de equipamentos usados. O relatório ambiental de 2010 da ONU sobre lixo tecnológico calcula que são produzidos anualmente 50 milhões de toneladas. O relatório também prevê que o volume de dejetos procedentes de computadores abandonados crescera 500% em países como Índia, China e África do Sul ate 2020. O Brasil, o México e o Senegal são, entre as nações em desenvolvimento, os campeões mundiais de e-lixo per capita, com 0,5 quilo anual produzido por habitante.

O quadro brasileiro pode ser ainda mais grave. Segundo a professora Wanda Gunther, da Faculdade de Saúde Publica da USP, faltam dados e estudos nacionais amplos sobre o problema. mas o crescimento econômico fará aumentar a podridão eletrônica, em um caminho natural — e saudável, ate que provoque sujeira — do capitalismo. As pessoas tendem a trocar seus produtos, passando a frente os já velhos e ultrapassados. Querem o novo, e o destino final do que já não presta, ou não tem interessados na cadeia econômica, e o descarte
.

Aproveite bem a água da chuva


Criar um sistema de captação pluvial básico ou até mesmo elaborado é mais simples do que parece. O meio ambiente agradece - e o seu bolso também

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Aquele aguaceiro que cai do telhado em dias de tempestade merece um destino mais nobre do que causar enchentes ou simplesmente escoar pelas galerias de esgoto. "O reúso da chuva é um investimento. Entre 35 e 50% da nossa demanda de água destina-se a fins não potáveis, e um projeto doméstico de coleta pluvial atende a esse índice", explica Jack M. Sickermann, representante da Acquasave, de Florianópolis. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criou uma regra para tornar o processo mais seguro: só se pode reaproveitar a água captada em coberturas, nunca a proveniente de pisos. Bebê-la ou usá-la no banho está fora de cogitação. "Tecnicamente, até dá para transformá-la em potável, mas o processo custa caro. Por isso, o uso mais comum se dá em descargas, rega de jardins, lavagem de carros e calçadas e até para completar a piscina, que será tratada com cloro", orienta Jack. Os equipamentos de reúso adaptam-se às calhas e aos condutores já existentes na construção. Mas é importante lembrar que essa água nunca deve se misturar àquela fornecida pela rede pública, que é potável. Ela requer reservatório e encanamento próprios, como você verá a seguir.

POR ONDE COMEÇAR
Antes de investir num sistema de reúso da água de chuva, encomende um diagnóstico a uma empresa idônea. O ideal é que esse planejamento conste do projeto de construção ou reforma da casa ou do edifício. Para isso, levam-se em conta desde a área da cobertura até o índice pluviométrico da região, sem deixar de lado um bom estudo da conta de água do imóvel. "Dependendo do gasto médio, em dois anos já se registra o retorno do investimento", calcula Diogo Almeida, engenheiro da Sharewater, empresa de São Paulo que faz projetos para todo o Brasil. Tanto casas quanto prédios já construídos aceitam sistemas de reaproveitamento (em condomínios, rateia-se o custo do projeto e dos equipamentos). Às vezes é necessário mexer no telhado e nas instalações hidráulicas (para usar a água em descargas). Além disso, o sistema requer espaço para a instalação da cisterna subterrânea ou sobre o solo.

Quanto ao preço, em média, uma proposta básica com cisterna pequena sobre o piso começa em R$ 7 mil. As mais elaboradas chegam a R$ 15 mil. A boa notícia é que tudo isso aceita a implantação em etapas, o que dilui os gastos. Algumas empresas vendem kits prontos (veja dois exemplos abaixo), que incluem filtros, bomba, cisterna e orientação na hora de colocar tudo para funcionar. Os mais simples pedem apenas um dia para a instalação. Observe se o filtro oferecido é o de duas etapas ¿ além de folhas e da sujeira graúda, ele deve dispensar também os primeiros 2 ou 3 mm de água de chuva, medida que serve para limpar a impurezas acumuladas no telhado. Se você optar por um reservatório sobre o piso, que interfere na aparência da construção, encomende um nicho de alvenaria para disfarçá-lo. Todo esse esforço valerá a pena: "Ainda não temos uma referência em porcentagem, mas notamos que o imóvel se valoriza quando conta com o sistema", finaliza Diogo.

1 de novembro de 2012

Indústria terminará o ano de 2012 em recessão

por Míriam Leitão 
A produção industrial encolheu 1% em setembro em relação a agosto; na comparação com o mesmo período do ano passado, 3,8%. No ano, a produção industrial acumula queda de 3,5% e, em 12 meses, de 3,1%. A única medida que deu positivo foi a da média móvel trimestral (0,4%).

Quando a gente olha para os dados detalhados, por categorias de uso, por exemplo, qualquer que seja o tempo que se meça ou o ângulo que se olhe, dá negativo, o único positivo é o dado registrado por bens de consumo duráveis em setembro contra setembro do ano passado, de 2,9%, por causa dos incentivos dados ao governo a carros, linha branca.
Mas a queda foi generalizada tanto em relação a setembro de 2011 quanto na comparação com agosto. O maior recuo foi registrado por bens de capital, que caíram 14% ante o mesmo período do ano anterior, o que significa pouco investimento.
A indústria terminará o ano em recessão, a produção será menor do que em 2011.
Quando a gente analisa os dados por dentro, vê que aquelas medidas setoriais do governo tiveram resultado: no terceiro trimestre, por exemplo, a produção de automóveis, que recebeu incentivos, está com 8,5%; linha branca, 17,5%, mas acabam se perdendo no mar de números negativos.
O governo já deu incentivos, o BC já reduziu bastante os juros para combater o baixo crescimento. Além disso, o dólar se valorizou, o que ajuda a indústria, que passa a ter uma barreira natural contra a importação. Mesmo assim, o setor vai terminar 2012 no negativo. Será um ano ruim.
Esperava-se que o segundo semestre seria de recuperação, até agora, isso não se confirmou. Ainda assim, os economistas continuam achando que os últimos três meses serão melhores. Persiste a previsão de um fim de ano melhor do que o começo de 2012. O terceiro trimestre, no entanto, frustrou as expectativas.
Os economistas começam a dizer que, se continuar fraca, o BC pode voltar a reduzir juros. Nesse momento, o cenário é de manutenção da taxa, porque o BC deu sinais de que fará uma parada técnica. Mas se a produção permanecer assim, o BC pode voltar a reduzir os juros em 2013 - já há analistas prevendo isso.

Alimentos causam quase 1/3 das emissões do efeito estufa, diz estudo


Entre as recomendações do novo estudo está a promoção do vegetarianismo


A produção de alimentos responde por até 29% das emissões humanas de gases do efeito estufa, o dobro do que a ONU estimava, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira, 31.
A diferença ocorre porque a ONU avaliou apenas as emissões decorrentes da agricultura, ao passo que a entidade de pesquisas agrícolas CGIAR levou em conta também o desmatamento, a produção de fertilizantes e o transporte dos produtos agrícolas.
O relatório, intitulado Mudança Climática e Sistemas Alimentares, estima que a produção de alimentos gere entre 19% e 29% de todas as emissões humanas. A estimativa da ONU era de 14%.
"Do ponto de vista alimentar, (a abordagem da ONU) não faz sentido", disse Bruce Campbell, diretor do programa de pesquisas da CGIAR sobre mudança climática, agricultura e segurança alimentar.
Muitos países poderiam fazer uma economia significativa se reduzissem suas emissões, segundo ele. "Há boas razões econômicas para melhorar a eficiência na agricultura, não só para reduzir as emissões de gases do efeito estufa."
A China, por exemplo, poderia reduzir fortemente suas emissões se melhorasse a eficiência na fabricação de fertilizantes. Na Grã-Bretanha, seria mais vantajoso consumir carne de cordeiro importada de fazendas mais eficientes na Nova Zelândia, em vez de criar seus próprios animais.
Outra recomendação do relatório é para que o mundo altere sua dieta, dando preferência ao vegetarianismo. O cultivo de alimentos para vacas, porcos e ovelhas ocupa muito mais terras e emite mais gases de efeito estufa do que a manutenção de lavouras para consumo humano.
Outro relatório do CGIAR indica que a mudança climática deve reduzir nas próximas décadas a produtividade dos três produtos agrícolas que mais fornecem calorias à humanidade - milho, trigo e arroz - nos países em desenvolvimento.
Isso obrigaria alguns agricultores a optarem por cultivos mais tolerantes ao calor, a inundações e a secas, de acordo com o segundo relatório, intitulado Recalibrando a Produção Alimentar no Mundo em Desenvolvimento.
Cultivos mais resistentes, como inhame, cevada, feijão-fradinho, milheto, lentilha, mandioca e banana, podem preencher o espaço deixado por produtos mais sensíveis, diz o estudo.
"Os sistemas agrícolas mundiais enfrentam uma árdua luta para alimentar projetados 9 a 10 bilhões de pessoas em 2050. A mudança climática introduz um obstáculo significativo pra essa luta", disse o texto. A população mundial atualmente está ligeiramente acima dos 7 bilhões.
O estudo diz também que o aquecimento global, atribuído por cientistas da ONU à atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, implica riscos para a produção alimentar além das lavouras, por gerar problemas também no armazenamento e transporte. 

Código Florestal: consequências da imbecilidade... Por Richard Jakubaszko



Richard Jakubaszko

Como alguém notoriamente sábio já falou (será que foi o Barão de Itararé?), "as consequências surgem depois". Olha só a imbecilidade: o Código Florestal deve ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff a qualquer momento. Contenha ou não vetos, no momento isto não é o mais importante, terão de ser protegidas e devidamente cercadas as margens de rios para efeito de APPs. Algum gaiato burocrata que gosta de estatística, me alerta lá de Brasília o colega jornalista Tito Matos, andou calculando que temos, no Brasil, cerca de 1.380.000 km de rios, riachos e córregos que deverão ser cercados dos dois lados, ou seja, serão 2 milhões e 760 mil km de cercas.
Pensei com meus fervorosos neurônios: vai faltar mourão, arame, e não vai ter dinheiro para toda essa imbecilidade!
Se não, vejamos: considerando que um mourão esticador deve ser instalado a cada 100 ou 140 metros de distância, e que a cada 4 ou 5 m tem de colocar uma lasca (os mourões menores), teremos a necessidade, por baixo, de 27 milhões de mourões esticadores e 100 milhões de lascas, mais 5 milhões e 520 mil km de arames, considerando que sejam apenas dois fios de arame...

Se a gente calcular que cada mourão esticador feito de eucalipto custa R$ 45,00 e cada lasca idem custa R$ 13,00 já temos uma conta salgada, nacional, superior a R$ 18 bilhões de reais sem considerar os custos com arame e mão de obra. Ai, ai, ai, quem vai pagar essa conta? O produtor rural, é claro, que já foi devidamente confiscado em 20% de sua área de terras...
Quem vibra com isso? Os fabricantes de arame, e, claro, os vendedores de mourões. A situação piora se a gente sabe que, faltando mourão de eucalipto (que dura no máximo 10 anos), teremos de usar mourão de aroeira, e estes custam R$ 120,00 o esticador e R$ 38,00 cada lasca, mas duram 100 anos se a madeira for tratada. Restam os mourões de concreto, que custam R$ 22,00 cada um equivalente a lasca, ou os mourões de plástico, que já existem, custam menos, e amanhã mesmo acho que vou até o BNDES me inscrever para conseguir um financiamentoe instalar uma fábrica de mourões de plástico...
Esperando ansioso a sanção presidencial está o amigo Claudemir, da Madeireira Aroeira, lá de São José do Rio Preto, que me forneceu os preços dos mourões. Ele vende mourões de eucalipto e de aroeira, estes vindos da Bolívia, todos certificados, pois o Brasil não possui mais aroeiras. Concluí de nossa conversa que vamos exterminar as aroeiras da parte amazônica bolivariana...
Tudo isso me leva a pensar sobre a imbecilidade ambiental inconsequente que se observa hoje em dia, os biodesagradáveis preocupados com a flatulência bovina esquecem da própria flatulência, são tão politicamente corretos que nem peidam. Por isso é que não se deve tentar segurar a natureza, pois quando a gente segura um petardo gasoso este pode entrar pela coluna cervical, sobe ao cérebro e daí nascem as ideias de merda, tipo esse Código Florestal, excrescência máxima do servilismo brasileiro, aprovado com sorrisos irônicos indisfarçados da comunidade internacional.
Será que o Código Florestal já se candidata a ser mais uma dessas leis nacionais que nunca pegam? O tempo dirá...

MPF: Incra responde por 1/3 do desmatamento da Amazônia





Brasília - A Justiça Federal proibiu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de criar assentamentos sem regularização ambiental no estado do Pará. A ação judicial, que culminou na decisão, apontou o Incra como responsável por um terço do desmatamento na Amazônia.
“Os procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, dos recursos hídricos e do patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia”, registrou a ação, aberta pelo Ministério Público Federal.
A decisão da Justiça Federal, publicada ontem (9), determina ainda que o Incra deverá apresentar,  no prazo de 90 dias,  um plano de recuperação de todas as áreas degradadas apontadas na ação e obrigou o Incra a interromper qualquer desmatamento que esteja em andamento nos projetos de assentamento. A autarquia terá ainda que apresentar todo mês à Justiça imagens de satélite que comprovem o cumprimento da determinação.
A autarquia também está obrigada a fazer a averbação da reserva legal dos assentamentos já implementados no Pará e a apresentar à Justiça informações detalhadas sobre a localização de todos eles.
A decisão ainda define que em 30 dias o Incra deverá apresentar um plano de trabalho para a conclusão dos cadastros ambientais rurais e licenciamentos ambientais de todos os assentamentos no Pará.
Em caso de descumprimento de qualquer das decisões, o Incra será multado em R$ 10 mil por dia.
Em nota, o Incra informa que desde 2007 não cria assentamentos sem licença ambiental prévia, em cumprimento à Resolução Conama 387, de 2006. A autarquia declara ainda que, desde a primeira quinzena de agosto, o Incra vem construindo no MPF caminhos para enfrentar os ilícitos ambientais nas áreas de assentamento, bem como propor soluções para as questões sociais nessas áreas.
A nota diz ainda que o órgão apresentou às câmaras de Coordenação e Revisão do MPF e aos procuradores da República da Amazônia, em agosto, o Plano de Prevenção, Combate e Alternativas ao Desmatamento Ilegal (PPCadi). O plano faz parte de uma agenda de atuação baseada na regularização ambiental via Cadastro Ambiental Rural (CAR), por unidade familiar, na recuperação ambiental com renda e segurança alimentar para as famílias, na valorização do ativo florestal e no monitoramento e controle dos assentamentos
A Procuradoria Federal Especializada no Incra (PFE/Incra) aguarda intimação de juízo e início do prazo para interpor recurso à decisão.

O ser ou não ser do aquecimento global



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Em finais de novembro irá ter início em Doha, capital do Qatar, a conferência da ONU para as alterações climáticas. O aquecimento global continua e ninguém sabe como pará-lo. Entretanto, há cientistas partidários da ideia de que nem se deve lutar contra o aquecimento.

O aquecimento global se daria ao dióxido de carbono CO2 que como resultado da atividade humana é emitido para a atmosfera da Terra em grandes quantidades. Contudo, existe a opinião de que o homem por princípio é incapaz de influenciar radicalmente o clima do planeta e de que todos os discursos sobre o aquecimento não passam de umaconspiração de alarmistas, políticos e industriais. Peritos em variações naturais globais partilharam a sua opinião com a Voz da Rússia sobre a escala do problema.
"Se pode responder à pergunta sobre a influência na atmosfera das emissões de CO2 com um "sim, influencia" ou com um "não, não influencia", refere o diretor do laboratório de investigação dos problemas globais da energia do Instituto da Energia de MoscouProfessor Vladimir Klimenko:
"Imaginem que nos últimos 15 anos as emissões mundiais aumentaram em cerca de 20 por cento, mas a temperatura diminiu. O que é que isso significa? Que as emissões não influenciam a temperatura? Não, não significa. Existe de todo um aquecimento global? Sim, existe. Irá ele continuar? Sim, irá. Será isso perigoso para a civilização mundial? Sim, é perigoso, se não se conseguir conter esse aquecimento global nos limites de cerca de um grau a partir do nível atual".
Até há pouco tempo, se tentou combater o aquecimento global e outras alterações climáticas limitando as emissões de carbono efetuadas pelas unidades industriais. Essa luta era feita no âmbito das convenções da ONU sobre as alterações climáticas e dos acordos de limitação que as acompanharam. Essas limitações afinal não foram suficientes. Além disso, os principais emissores de CO2, a China e principalmente os EUA, não assumiram quaisquer compromissos por considerações econômicas. E não se consegue assim reduzir as emissões de carbono.
Atualmente, os cientistas propõem reduzir o CO2 diretamente na atmosfera ou então simplesmente tapar a Terra do excesso da radiação solar. No entanto, as consequências da intervenção humana na síntese natural são imprevisíveis, na opinião do diretor do programaO Clima e a Energia do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) Alexei Kokorin:
"Teoricamente, até se pode capturar o CO2 da atmosfera, essa tecnologia existe, e bombeá-la, por exemplo, para o solo ou para as profundesas do oceano. A questão é o que será mais barato neste momento? Começar a poupar energia, aprofundar a eficiência energética e desenvolver as energias renováveis? Por outro lado, existem possibilidades teóricas de influenciar o clima de forma direta, por exemplo com uma tela de enxofre. Mas essas coisas são muito perigosas. Isso por que os modelos informáticos demonstram que podemos cair numa alteração climática brusca se começarmos a fazer algo do tipo do ecrã de enxofre. E entraremos bruscamente num período glaciar".
O professor Vladimir Klimenko coloca uma questão retórica, será que vale mesmo a pena combater o aquecimento global:
"Do meu ponto de vista, não é preciso. Isso porque a relação dos fatores humanos e naturais é tal, que a velocidade do aumento da temperatura nas próximas décadas será inferior à que se atingiu nos últimos 30 anos e que assustou de tal maneira a opinião pública mundial. Um dos fatores principais é o de que a atividade solar estar a diminuir. E, portanto, se reduz a quantidade de calor que a Terra recebe do Sol. Assim, o Sol se contrapõe de forma importante ao efeito de estufa em crescimento. O problema é: qual será a resultante dos múltiplos fatores que influenciam o clima".
Na opinião de Klimenko, se para a maior parte da Rússia o aumento da temperatura pode ter uma série de consequências positivas, para muitos países de África e países insulares do Pacífico as alterações climáticas serão fatais. Só faz sentido falar sobre consequências positivas ou negativas do aquecimento global em contextos geográficos específicos.